Eu tô saindo

Tô indo embora.

Entenda. Porque explicar é freud!

Como pode um comercial que passaria despercebido pra qualquer um tornar-se a expressão mais falada em um país continental como o Brasil?

Burrice, falta de indignação, alienação?  Talvez seja.

Entretanto, a sensação é que só aqueles que vivenciam o espaço virtual em sua miríade de inovações é que parecem entender o que ele virou e sua lógica bizarra. Não é por acaso que os estranhos a essa forma de pensamento têm tanta dificuldade em compreendercomo algo tão inútil pode invadir o mundo real de maneira tão rápida e intensa.

A internet é a representação da mente humana. É leviano querer explicá-la.

O “mundo virtual”, como gostam de chamar, não é nada além do mundo dos pensamentos. E é nessa SOPA de mentes humanas que o individual se torna coletivo e o coletivo, individual. É ali que se criam e destroem reputações. Hoje, ninguém pode com a internet porque ela é de todos e terra de ninguém. Mesmo com todo o perigo da SOPA e do PIPE, se forem pra frente, uma possível desobediência civil global não é tão difícil de se imaginar.

É a consagração do não-pensar, do sentir. Mais do que pensamentos, a internet transmite sensações. E é o meio já criado mais capaz de fazê-lo. Quem vai conseguir entender porque o inconsciente (ou subconsciente) de todos – menos o de Luíza, que está no Canadá – identificou-se com essa expressão, como se identifica com pokerfaces, trollfaces, forever alones, philosoraptors?

A internet, desde seu nascimento, meu caro, não foi feita para ser compreendida.

Se tem um potencial para ser burra e emburrecer aos olhos de um, tem potencial até maior para ser o ponto de apoio de mudanças quando todos conseguirem ver isso.

Essa aí só Freud explica.

Ei, juiz, vai tomar no…

O árbitro Gutemberg de Paula Fonseca fez diversas críticas e acusações a Sérgio Corrêa, presidente da Comissão Nacional de Arbitragem. Em entrevista à Rádio Jovem Pan, o juiz falou palavras fortes, chamou Sérgio de “mentiroso”, disse que a comissão age apenas com interesses políticos e até insinuou possíveis recomendações antes dos jogos para favorecer o Corinthians. (ESTADÃO/ESPN)

Pronto. A evidência final de que a arbitragem brasileira é um lamaçal, que ninguém presta e todos favorecem Flamengo, Corinthians, São Paulo, Fluminense, Cruzeiro… menos o seu time, o grande prejudicado, o arqui-inimigo da CBF e da Comissão Nacional de Arbitragem.

Mas, antes de discutir a integridade da Comissão, precisamos diminuir e analisar a pré-disposição que temos para duvidar dessa integridade.

  1. QUEM E QUANDO critica a arbitragem?

Para citar apenas a rivalidade paulistana, alguém conhece um corinthiano que reclama do Campeonato Brasileiro de 2005 e da intervenção do STJD? De um palmeirense que reclama da Libertadores de 2000, quando foi  favorecido nas oitavas-de-final contra o Peñarol? De um são-paulino reclamando do Campeonato Brasileiro de 2008 e daquele jogo contra o Goiás?

Só quem perde, reclama, óbvio. Só quem se julga prejudicado, faz teoria da conspiração.

Um autor alemão pode nos ajudar a entender o porquê. Para Justus Möser, ”a vida numa sociedade em que o sucesso dependa exclusivamente do mérito pessoal seria, segundo Möser, simplesmente insuportável.  Tal como é a natureza humana, as pessoas são propensas a superestimar seu próprio valor e méritos. (…) Nesse caso [o da meritocracia], os malsucedidos sentir-se-ão insultados e humilhados.  Surgirão ódio e animosidade contra quem os sobrepujou.”¹

Apenas um pode ser campeão. Ajudado ou não, corrupto ou não, não são todos os que fazem um bom trabalho que possa levar ao campeonato. Isso porque, teoricamente, apenas o que faz o melhor trabalho, ainda mais em um campeonato de pontos corridos, alcança seus objetivos.

Quando é campeão, todos os outros procuram explicações para o fato do seu time não estar no lugar. Natural, é a tentativa do torcedor de deslegitimar todas as vitórias do rival.

Como a maioria superestima o trabalho feito, tende  a acreditar que os problemas são externos e não internos. É sempre o juiz que prejudicou em um jogo decisivo e não aquele empate em casa que decidem o campeonato…

Sem saber quem pode ser o bode expiatório, criticam o sistema, o poder instituído.

Mas, e aí? A arbitragem não é corrupta, então?

Não sei. Ninguém tem provas. E acho que nem o Gutemberg tenha.

A ARBITRAGEM É POLÍTICA.

Quem faz política melhor, chega lá mais fácil. Tem árbitro bom que chegou lá porque faz política bem. Tem árbitro mais ou menos que chegou lá porque faz política muito bem. E, não duvide, tem árbitro ruim que chegou lá porque tem algum amigo lá dentro.

Assim como tem árbitro muito bom que se destaca pelo conhecimento e também tem árbitro que não conhece muito mas se dá bem em campo pela postura.

Gutemberg não é um grande árbitro. Não está entre os 3 melhores do país, com certeza. Se chegou a ser árbitro FIFA foi porque fez política. Não é o primeiro e não será o último a denunciar o “esquemão”. Porque fazer isso TAMBÉM faz parte da política. 

Ao passo em que o campeonato busca consagrar o mérito, a Comissão de Arbitragem premia o que se enquadra melhor no sistema.

Ah, mas e os times favorecidos?

Aí, para entender, não tem que saber de autor alemão nenhum. Melhor ficar com Tropa de Elite: “quem quer rir… tem que fazer rir!”, meu amigo.

Não é roubo. Ninguém combina resultado. É jogar o jogo que está na mesa. E os times jogam. Alguns times jogam melhor que os outros.

Isso vai desde dar presente pro árbitro, passa por pressionar ele via imprensa até ter um conhecido ou outro na Comissão.

A culpa não é dos que vencem. A culpa é do sistema.

E o sistema é foda, mermão.

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1. MISES, Ludwig von, in “A mentalidade anticapitalista”.

O perigo reacionário na USP

Na USP, as eleições para o DCE se aproximam. Exatamente em um período de ânimos exaltados como o que estamos vivenciando sobretudo no campus Butantã. O cenário é basicamente o seguinte: algumas chapas ligados aos tradicionais  grupos políticos de esquerda e uma chapa que não é ligada – ao menos diretamente – à esquerda. Exatamente pelo fato de ser a única, sua vantagem é evidente: todos os votos anti-manifestações tendem a ir para esse grupo.

Participei e participo dessa chapa a convite de um amigo e, portanto, estarei na lista dos membros dela. E é exatamente por isso que me vejo no dever de falar, antes das eleições, sobre o perigo ideológico que corremos, apesar de apresentarmos, não tenho dúvidas, o temário mais propositivo e libertário possível.

O perigo de deixarmos de apresentar um projeto e acabarmos restritos a um anti-projeto. Seguir esse caminho é cair na vala reacionária. Isto é, mesmo em caso de vitória, nossa função não é se abster das lutas dos estudantes ou colocarmo-nos contrários a isso. A função a desempenhar é a de apresentar propostas e estratégias para que os estudantes alcancem seus anseios. É peremptório lembrar que deixar de ter pelo que lutar e apenas criticar os que lutam não nos levará a lugar algum.

Trata-se de colocar as instituições representativas a serviço do estudante.

Cheguei a essa conclusão hoje, após passar parte do meu dia na FFLCH debatendo sobre o assunto com professores e outros alunos em uma reunião que, creio, deveria se repetir sempre que possível, o que infelizmente não acontece, exceto em datas “excepcionais”, como hoje ou a Semana da Calourada.

Um DCE que optar pela abstenção das lutas dos estudantes ou se colocar contrário a elas quando claramente desejo dos estudantes não será representativo. Seremos criticados pelo que criticamos, fazendo o inverso. Hoje, as lutas são colocadas antes da posição dos estudantes. O perigo é a posição dos estudantes não conseguir levar a lutas.

Não se trata aqui de método de luta. Minha opinião pessoal é a de que há métodos mais eficazes de protesto do que os praticados atualmente pelo “movimento estudantil”. Trata-se de disposição a batalhar. É isso que não podemos perder. Batalhar, principalmente, com motivos, com apoio. Entender que a Universidade não está presente apenas na sala de aula, como disse hoje a Prof. Ana Fani, mas em toda a Universidade – desde que se tenha consciência de estar na Universidade.

Darei um exemplo que está em voga: a questão da Polícia Militar. O debate sobre a presença ou não da PM na USP, a ação repressora ou não dela é imprescindível para a Universidade de São Paulo. Caso a comunidade acadêmica se convença de que a PM é maléfica ao ambiente escolar-universitário, é nossa função apoiar tal posição mesmo que não seja condizente com a opção da maioria do grupo. Nossa função enquanto idealistas é apresentar as ideias, não ter medo de discordar e usar um dito poder para evitar o que discordamos.

Acreditar que não há pelo que lutar nos levará, aí sim, ao lugar que nos criticam: o reacionarismo. Acreditar que não há o porquê de mudar, não há motivos para ser progressista.

Não. O movimento estudantil é fator de progresso. E disso não podemos esquecer jamais! O movimento estudantil é toda a comunidade acadêmica e a ela devemos obedecer. Não é nosso dever filtrar posições, mas servir ao estudante. Mais do que isso, por sermos também universitários, nossa função é a de argumentar e não nos rendermos a imagens chamativas e publicitárias que em nada enriquecem o debate – como fazem os dois lados, diga-se de passagem.

Para isso, é necessário engajamento e desprendimento de todos da Universidade de São Paulo de modo que todos os estudantes da USP, de politécnicos a fflchianos, possam discutir em conjunto e parar de pensar a USP e o mundo apenas em seus departamentos, cada qual com seu olhar distorcido e enviesado.

Mais do que estudar, a função de todo universitário, esquerda ou direita, é pensar. Nosso lugar como estudantes não é apenas a sala de aula. É fora dela também, se necessário for. Saber pensar criticamente as situações é a chave que nos levará para uma Universidade melhor, não apenas achar que representamos seja-lá-quem-for.

É esperançoso em mudanças na USP e aliviado pelo dever de alertar para tal perigo que meu grupo corre que escrevo esse texto torcendo para quaisquer que sejam os futuros diretores do DCE saibam do dever que têm.

Cercados

O que se vê na comunidade discente da USP é um cenário, por todo lado, contraditório. De um lado, aqueles que defendem o fim do convênio com a Polícia Militar. De outro, os que defendem a permanência dos policiais. O pano de fundo é a luta pelo poder na USP. A ambos sobram ideais, faltam ideias.

Sim, porque os que lutam pela ausência da PM o fazem sem apoio dos estudantes, mas movidos por conceitos que fazem crer que a Polícia Militar é uma instituição repressora e que serve apenas à elite. Entretanto, por outro lado não há o que defender quando a Polícia Militar age como na noite de 27 de outubro, como a posição antagônica que os arautos da “ordem e do progresso” querem forçar.

Defender a segurança pela simples presença da PM torna-se inócuo para a comunidade acadêmica porque esse ideal significa o fim da autonomia e da especificidade que uma Universidade deve possuir. Aqueles que argumentam que a Universidade deve ser tratada e entendida como qualquer espaço desprezam o que há de mais importante em uma instituição de ensino: a vida acadêmica. Sua mente retrógrada despreza os avanços educacionais que indicam, dentre outras coisas que ser estudante de uma universidade não é apenas estudar.

NÃO É ESSA A PRINCIPAL FUNÇÃO DO ESTUDANTE, sobretudo a de um universitário. E principalmente a de um estudante universitário de uma instituição pública.

Porém, lutar pela expulsão daqueles que são responsáveis, por lei, pela segurança é desprezar, aí sim, o direito, também garantido pela Constituição, de estudarmos em um ambiente saudável.

Não é salutar estudar em uma faculdade onde ideais partidários são sobrepostos aos anseios estudantis! Não é salutar estudar em uma universidade onde os representantes assumem posições incompatíveis com o desejo da maioria!

Sim, porque pensamento crítico não é sinônimo de rebeldia! Porque ser crítico não é ser do contra! Amigos, ser crítico é a capacidade de problematizar situações!

De ambos os lados, não há problematizações!

A segurança é necessária! A repressão, autoritária! A repressão deve ser combatida! A segurança, valorizada!

Debater a Polícia é essencial! Expulsá-la é passional! Debater é dar espaço a questionamentos! Expulsá-las é cair na vala do autoritarismo!

É hora de problematizar a USP!

Aqueles que acham que há soluções prontas e perfeitas para a USP devem voltar a ler os livros que empunharam contra a PM! Menos doutrina! Mais método!

Aqueles que acham que há soluções prontas e perfeitas para a USP devem ser lembrados que faz parte do papel do estudante da USP lutar contra aquilo que está instaurado! É nosso papel enquanto acadêmicos – de humanas, exatas ou biológicas! Nem sempre desenvolvimento é sinônimo de progresso! Sim, é nosso dever lutar contra injustiças!

É nosso dever construirmos uma USP segura, democrática e mostrar que é possível isso sem rebeliões desnecessárias ou excesso de conservadorismo. Até porque a conseqüência é a mesma nos dois casos: a intolerância.

Por uma outra USP

Durante o período da Ditadura Militar, estudantes, professores e trabalhadores da Universidade de São Paulo lutaram contra a repressão e o cerceamento de várias liberdades, sobretudo a de expressão. Alguns ingressaram na revolta armada. Outro, no movimento democrático. Engrossaram, já em meados da década de 1980, o movimento das ‘Diretas, já!’ e, no início da década de 1990, o movimento ‘Fora, Collor!’.

Um dos professores cassados durante a Ditadura, Fernando Henrique Cardoso, tornou-se Presidente da República em 1995. Em 2001, o Partido dos Trabalhadores, formado por vários intelectuais, estudantes e trabalhadores da nossa universidade alçaram Luís Inácio Lula da Silva à Presidência. Em 2011, uma ex-guerrilheira e ex-participante do Movimento Estudantil assume a Presidência pelo Partido dos Trabalhadores: Dilma Rousseff.

Enfim, na luta contra a Ditadura, o movimento democrático venceu!

Contudo, dentro da própria Universidade de São Paulo, ainda ecoam os discursos daqueles radicais – na época, necessários – contra a Ditadura. A USP tornou-se uma ilha de anacronismo.

Seu anacronismo leva a uma contradição: ao passo em que lutam pelos ditos anseios da população, o que defendem não alcança muito mais do que as organizações que representam e seus militantes.

As eleições para o Diretório Central não consegue ter a presença de 25% do corpo discente.

A imagem que passam é a de rebeldes sem causa. Imagem essa divulgada ainda mais pelas mídias de massa que não entendem seu anacronismo.

São minoria dentro da própria USP, mas são a imagem que se tem de todos os estudantes.

Seu poder reside apenas no fato de estarem muito bem organizados e prontos para garantir o status quo do movimento estudantil.

Dizem defender a USP.

Mas defender, verdadeiramente, a posição vanguardista da USP é defender a mudança de como os estudantes praticam a vida acadêmica: se voltada para a população, mas filtrada por interesses alheios à USP, ou se em simbiose com o povo.

Decidir se vamos defender a tal “produção do conhecimento para o povo” ou se, na verdade, devemos produzir conhecimento do povo. Produzir para alguém é admitir que nós estamos fora desse corpo. É peremptório, hoje, lembrar que fazemos parte do povo e que o conhecimento que nós produzimos será deste povo desde que possamos ter uma educação crítica e enxergar no nosso conhecimento um vetor de mudança das desigualdades e dos problemas que nos afligem e, portanto, afligem também ao povo.

O melhor que podemos fazer para o povo e, portanto, para nós, é trabalhar para que a USP volte a ter uma produção científica de qualidade não só por parte de seu corpo docente, mas também a partir de nós, estudantes da USP. É evitar que nossa força seja ferramenta de mudanças que respondem a interesses de pessoas que nem conhecemos.

Transformar a USP passa pela democracia. O movimento democrático venceu no Brasil e vencerá na USP. Torna-se necessário fazer valer o direito de mudar a USP que temos para transformá-la na USP que desejamos. É hora de transformarmos a USP para voltarmos a transformar o Brasil, como queriam aqueles que morreram para ajudar a, vejam só, transformar o Brasil.

Assine esse manifesto e mostre quem, de fato, representa a USP.

Saudações uspianas,

Dimitrius Dantas Pulvirenti

O caso Kléber

Há algumas semanas, foi noticiado o interesse do Flamengo-RJ na contratação do Kléber, do Palmeiras. Até aí tudo bem: é do futebol que outros times se interessem por jogadores de outro. As transferências de jogadores são uma das partes mais legais do futebol – eu, particularmente, gosto.

O tempo foi passando e a novela permanecia. A proposta do Flamengo é de 3 milhões de euros (6,5 milhões de reais). Segundo o clube carioca, esse valor é necessário para que o jogador pague a multa rescisória e viaje para o Rio de Janeiro. Entretanto, não é bem assim.

Há os que dizem que a multa é de 14 milhões de reais, outros que dizem que é de 25 milhões de reais. A Diretoria do Palmeiras vai ainda mais longe: a multa está em torno de 146,5 milhões de reais.

O cálculo feito pela administração palestrina é o seguinte: (salário x tempo restante de contrato) = multa.

No fundo, o debate sobre a multa não seria o central na história. Ora, Kléber ama o Palmeiras. Certo?

Não é bem assim. Kléber reclama um reajuste salarial. Diz que recebe menos que Lincoln e Valdivia, jogadores que não tem correspondido ao que foi gasto neles.

Além disso, Kléber não tem jogado as últimas partidas alegando dores na coxa. Nessa semana, o Departamento Médico do Palmeiras liberou o jogador. Ele, porém, foi ao Hospital Albert Einstein realizar um exame para comprovar que ainda tinha uma lesão na região.

Ano passado, para sair do Cruzeiro, Kléber usou da mesma tática: “O atacante Kléber não enfrentará o Santos, nesta quarta-feira, às 21h50 (horário de Brasília), no Mineirão, pela sexta rodada do Campeonato Brasileiro. O camisa 30 cruzeirense passou por exame de imagem nesta terça-feira e teve constatado um estiramento grau um na coxa esquerda.

Kléber, que voltou a ter seu nome envolvido em negociações, inclusive com o presidente Zezé Perrella revelando uma proposta do Palmeiras, não aceita, por 50% dos direitos econômicos, desfalcará o Cruzeiro por cerca de dez dias. Assim, o Gladiador não defenderá o Cruzeiro antes da paralisação do Brasileiro para a Copa do Mundo. No próximo domingo, o time pega o Atlético-GO em Goiânia, na 7ª rodada, a última antes do Mundial.” (notícia UOL – 01/06/2010)

Kléber não quer jogar. Se jogar, cumpre a sétima rodada pelo Palmeiras e não poderá se transferir para o Flamengo, que oferece vencimentos de 500 mil reais para o atleta, enquanto os dirigentes do Palmeiras relutam em dar o aumento.

Mas ele merece o aumento? Sim e não. Kléber é o jogador mais importante do Palmeiras. Sem ele, ficaria ainda mais difícil para o Palmeiras disputar algum título em 2011. É muito mais importante que Lincoln e Valdivia. Valdivia, contudo, é ainda uma grande esperança para a torcida e para a Direção. Voltou a jogar na Copa América e foi decisivo no empate contra o Uruguai. Já Lincoln está envolvido em um imbróglio: ele pagou a multa rescisória com o Galatasaray do seu próprio bolso. O Palmeiras não tem como lhe dar esse dinheiro.

Ademais, Kléber assinou um contrato e esse contrato diz que ele recebe X.

Mas, hoje, o futebol não está nas mãos dos clubes e o contrato não vale (quase) nada. O Flamengo oferece muito mais e seduz o jogador sem conhecimento do Palmeiras, prática conhecida como aliciamento. Fez a mesma coisa com Vagner Love, com o mesmo Palmeiras.

O que fazer? Da parte do Palmeiras, não ceder. Trata-se de uma questão de honra o Palmeiras fazer valer o seu papel como dono dos direitos econômicos (50%) e federativos do atacante.

Como? De várias maneiras. A primeira delas é acionar a justiça para proibir que o zagueiro David, ex-Palmeiras e envolvido em uma ação judicial entre o clube, ele e o Panathinaikos. Atualmente, ele só joga porque o Palmeiras permitiu. Outra, seria oferecer Kléber ao Flamengo. Em troca de Thiago Neves, Diego Maurício, Adryan e algumas promessas do clube. Se não aceitarem, que paguem o que está escrito no contrato, algo em torno de 25 milhões de reais, segundo o Palmeiras Todo Dia.

Com esse dinheiro, é possível contratar 2 ou 3 bons jogadores.

Caso o Flamengo não aceite e continue aliciando Kléber, é simples. Se não quiser jogar no Palmeiras, vá treinar. Em Guarulhos, isolado.

E, é claro, acionar o Flamengo na FIFA por aliciamento.

Ajoelharam, Flamengo e Kléber. Agora têm que rezar.

Eu, ateu #2 – O ateísmo, o positivismo, um outro ateísmo

Costumo ler alguns textos sobre ateísmo. Do alto de sua liberdade religiosa, atacam os teístas partindo de um princípio simples: a existência de Deus não é provada e, portanto, por via das dúvidas e da completa falta de evidência, ele não existe. Não teria problema com isso se esse discurso fosse argumento peremptório no debate. Ateísmo e positivismo parecem irmão siameses.

É um argumento que não faz sentido quando analisamos sob a ótica de que a fé e até o ateísmo é uma posição com boa dose de subjetividade. Não se chega, ou ao menos não ocorreu assim comigo, a uma idade e após um período de grande reflexão, a conclusão da inexistência de Deus aparece.

Segundo Diego Quinteiro, “Não escolhi não acreditar em Deus. A maioria de vocês também não escolheu suas crenças. Não há deliberação consciente entre crer e não crer, é resultado subconsciente das informações que o mundo lhe oferece.”

Assim como a taxa de ‘ajuda divina’ nos pedidos, a probabilidade de Deus existir está entre 40 e 50%. Já há teorias que permitem a criação do Universo sem influência de um ser superior. Acreditar ou não nele é uma opção pessoal basicamente sustentada por dois pilares: nossa personalidade, formada basicamente na infância e a história de vida.

Segundo Agnes Heller, “a compreensão do mundo é parte fundamental da formação da personalidade. Desde criança, começamos a formar certa imagem do mundo, e o desenvolvimento da personalidade depende do modo pelo qual conseguimos compreendê-lo corretamente. A criança sempre pergunta: por quê? E é precisamente a causalidade o motivo fundamental da curiosidade da criança. Por que o sol brilha, por que chove, por que temos de comer isso ou aquilo, por que não posso fazer isso ou aquilo, por que tu és minha mãe? E, ao lado do por quê, há sempre o como.”

A leitura da compreensão de Heller sobre a formação da personalidade humana ilumina o assunto. O desenvolvimento intelectual da criança passa por perguntas básicas como as indicadas pela autora: a existência do sol, da chuva… A resposta comum da maioria das pessoas com fé seria: ‘o papai do céu criou para iluminar nossa vida no caminho de Jesus Cristo’ ou ‘é o papai do céu chorando’. Chorando, mas por quê?

Defender uma educação ateia parece ser demais para o momento. Entretanto, torna-se óbvia que uma educação religiosa indicará outra compreensão de mundo, enfim, outra visão. A mentalidade formada poderá ser de um teólogo cristão, inteligente e que debate a questão com propriedade e com suas convicções. Ou a mais comum: uma legião de alienados que atribuem a Deus a causa de todas as coisas. Desde a criação da vida na Terra até perder o emprego.

Mais do que isso, as experiências de vida contribuem ou não para um desenvolvimento que levará da fé cega a uma fé questionadora ou ao ateísmo. Contudo, como criticar uma pessoa que se livra de uma doença rara e acredita ser por intervenção divina? Que não há provas? Mas, ora, se a prova dela é ela mesma?

Não cabe a nós, que aspiramos a entender racionalmente o mundo e, com isso, provar a inexistência de Deus, duvidar da visão teísta. Cabe a nós, enquanto ateus, não acreditar em Deus porque essa é a sua, a minha e a nossa certeza; apresentar argumentos que sustentem essa visão. Ser ateu não é negar. É entender de maneira diferente. Um caminho que decidimos seguir e pelo qual encontramos os melhores resultados práticos.

Com o pensamento científico, os ateus tentam demonstrar-se intelectualmente superiores aos que acreditam em Deus. Arriscaria dizer que somos arrogantes. Fosse o ateísmo tão óbvio quanto tentamos demonstrar, não seríamos minoria – crescendo, mas minoria. Ora, se queremos analisar racionalmente e, mais, tendo a Ciência como grande substrato do conhecimento ateu, devemos, como cientistas – humanos, diga-se de passagem -, levar em conta todas as hipóteses. Dentre elas, a hipótese da existência divina.

A compreensão desta hipótese só se torna possível quando analisada sob um ponto de vista histórico – é arriscado dizer, por ora, sobre uma análise geográfica, sobre o espaço e a religião.

Seria repetição dissertar sobre a diferença entre os seres humanos pré-históricos e os atuais, isto é, dizer que pelo pouco conhecimento acumulado, a influência divina pareceria a mais correta e mais do que isso, a única.

A hipótese do ateísmo só foi possível quando os conhecimentos acumulados levaram, aí sim, intelectuais a pensarem sobre a necessidade da existência de Deus. Tal esclarecimento coincidiu com o período cientificista do século XVIII e XIX e que permaneceu predominante até meados do século XX. O crescimento do ateísmo coincide com a criação do método positivo que indicou os caminhos para as ciências: a objetividade e a experiência.

Porém, a ciência evoluiu e o próprio positivismo ao qual o ateísmo está intimamente ligado deu lugar a outros métodos, embora o método comteano persista fortemente nas ciências experimentais.

Obviamente, o ateísmo não é uma ciência ou um campo disciplinar. Mas poderíamos falar em um ateísmo fenomenológico? Ou, de maneira mais aberta, em um ateísmo neokantista ou idealista?

Ora, parece claro e os argumentos do texto demonstram que não é a inexistência de Deus que se apresenta ao sujeito, o homem. É o contrário: o homem interpreta o mundo de modo a negar a existência de Deus e outros de maneira a ter fé nele – criando uma fé questionadora, o contrário seria impossível devido à inexistência da interpretação.

Enfim, o texto visa a, quem sabe – não vi qualquer coisa que negou o “positivismo ateu” -, apresentar uma proposta sobre o ateísmo que o desvincule de sua origem “experimental” mas que o torne aberto a novas concepções e a aceitar as abordagens contrárias, sobretudo a crença em Deus. Entender a crença em Deus e aceitar que pessoas possuam essa crença não é uma oposição à argumentação de que Deus não existe, é apenas mais um argumento.

De um governo e da sociedade

Ontem, o Supremo Tribunal Federal decidiu por não extraditar Cesare Battisti e libertá-lo da prisão. Battisti é acusado de cometer quatro assassinatos nos anos de chumbo italianos – período marcado por atentados de extrema-esquerda e extrema-direita. Condenado à prisão perpétua na Itália, Battisti passou pela França e, quando este país decidiu pela sua extradição, fugiu para o Brasil.

Não entrarei no mérito da legalidade ou não da decisão do STF: não tenho carga teórica jurídica para defender a extradição ou não. Vou falar sobre o que é possível de ser palpitado.

Antes, o STF já havia decidido pela extradição do italiano. Contudo, esta teria que ser aprovada pelo chefe de Estado, vossa excelência, o então Presidente da República, sr. Luiz Inácio da Silva, o Lula. Nosso ex-Presidente optou por não extraditar Battisti.

Em suma: o Brasil passará a abrigar um acusado – mesmo que na Itália – de assassinato. E a mensagem do governo brasileiro é a seguinte: “comunistas de todo o mundo, uni-vos no Brasil!”

Um governo acrobata, diga-se de passagem. Que economicamente defende o consenso capitalista. Do político, a criação de um lar para comunistas que se julgam perseguidos – há os que não se julgam? – E, culturalmente, a saída tem sido fazer com que ninguém saiba o que está rolando. Ou mais de 25% da sociedade sabe quem é Cesare Battisti?

Mais: a sensação é que o governo não faz parte da sociedade e o poder já não emana mais do povo. A recorrente sina brasileira: um governo que manda no povo e não o contrário.

Porque somos nós, o povo, que admitimos uma carga tributária de mais de 30% e serviços públicos abaixos da média. Que não erra ao eleger Tiririca mas ao aceitar, de novo, Palocci. E não só ele, mas Sarney, Calheiros e outros coroneis que permanecem mamando nas tetas da carga tributária citada acima. Povo que, impassivo, vê o governo abrigar alguém que, repito, é acusado de quatro assassinatos e mais, fugiu duas vezes de ser preso.

Chega a ser engraçado. Temos uma população conservadora ao extremo que é contra gays, maconha e aprova até a tortura, se preciso. Tudo pela segurança. Mas, alienada, aceita passivo seja o que o governo quiser, inclusive um baseado.

(sou a favor do casamento civil para homossexuais e a favor da liberação da maconha)

Enfim, caros amigos, o governo passou a esquecer que a sociedade está acima dele e não abaixo. Não, não se trata de uma crítica ao comunismo. A crítica é a um governo que desrespeita a opinião de seu povo. É aquele que abriga um terrorista. Terrorista porque refugiado político é aquele perseguido pelo que acredita, não pelo que fez e pelo que deve pagar. Pagar porque cometeu um crime.

E cabe a nós, sociedade alienada que somos, lembrá-los da realidade. Tomar o bastião do poder que cabe somente a nós.

Atribuir o governo de um país a um grupo apenas, o Partido dos Trabalhadores?, é imagem e semelhança das piores ditaduras do século XX: a stalinista e a fascista.

O país que queremos não é o que o governo quer criar, e aí incluso muito mais que a não extradição de Battisti. O país que queremos é o que o povo quer. Grande, pacífico e hospitaleiro mas, mais do que isso, um país justo. Justo para os que aqui vivem mas justo frente aos outros.

Do marxismo, da vergonha, da inconformidade e da Revolução

Existe uma mulher que vende doces, chicletes e balas no ponto de ônibus onde pego o ônibus para a USP. Negra, – e com o perdão de usar da estética que separa feios e bonitos, ricos e pobres – com o cabelo mal-penteado e roupas já surradas. Seu celular é um daqueles de gerações bem anteriores, “tijolo” para os mal-acostumados de hoje. Ela conversa com alguém de vez em quando. Já comprei algumas coisas com ela. A bala de iogurte não era lá tão boa. Mas no outro dia comprei um pirulito. Ruim. Mas resisti e terminei.

Ela está lá todos os dias. E, sim, ela lá estava, na sua luta obstinada e empreendedora rumo à acumulação de capital (leia-se sobrevivência), nos dias de frio um pouco estranhos para o mês de maio. Mas para ela o aquecimento global seria uma bênção se, de fato, aquecesse e não extrapolasse o clima.

E eu estava lá. Eu e ela, tremendo de frio. Mas ela estava mais, muito mais do que eu. Porque eu estava de tênis e meia, ela de chinelo que, pela minha observação cotidiana, é o único calçado dela. Ela mais do que eu porque meu agasalho ainda era novo e aquecia. O dela, velho e dava calafrios até em mim. Eu estava de calça jeans, ela, com aquelas finas, legs, que só eram calça porque pareciam não terem sido dela em um passado muito mais distante que o da criação da minha jaqueta, da minha blusa e do meu tênis.

Eu não sou de rótulos. Sou mais o “acima de tudo isso”, contra a maioria dos “ismos”. Mas eu vi, ali, que o que existe hoje está errado. Muito errado.

Em uma entrevista, Agnes Heller cita um debate entre dois marxistas: Kautsky e Otto Bauer. Aquele defendia que os operários ingressavam na revolução porque, ora, ela ocorreria de qualquer maneira. Este, que os operários só ingressavam na revolução porque eram contra o sistema vigente, o capitalismo.

A minha personagem não é operária. Tampouco ingressou na Revolução. Ao contrário, capitalista que é mesmo sem saber disso e sem concordar, abriu seu estabelecimento ilegal, um comércio num ponto de ônibus em uma avenida paulistana.

Nunca conversei com ela e tampouco compro sempre seus produtos. Não porque não são bons. Tenho vergonha.

Vergonha porque quando não ando com o cartão do ônibus, que me impossibilita de comprar qualquer coisa, ando com vinte reais no bolso. Dinheiro com o qual conseguiria comprar boa parte da mesa onde ela coloca os poucos produtos que vende.

E me sinto como se qualquer atitude fosse esbanjar a minha riqueza que, mesmo abaixo dos considerados ricos, é muito maior que a dela, que tem celular. E fala com alguém.

Alguém que também não deve saber da tal revolução.

Eu não sei se a resposta é o marxismo. Talvez seja o próprio capitalismo. O fato é que sei que o vigente é o errado, o injusto. Mas ela, nossa heroína, se rendeu ao sistema, é o símbolo-mor do empreendorismo, a representante real da Lei da Oferta e Procura. Não, ela não traiu o sistema. Refém ou não, ela acredita nele.

Fora os “bom dias” costumeiros, não sei se vamos conversar um dia. Não sei se, no futuro, eu, como Ethienne em “Germinal”, de Émile Zola, falarei a ela sobre um novo mundo. Dessa vez, um justo. Onde todos são iguais. Onde levar-se-á em conta não o caráter hereditário, mas a capacidade individual. Um mundo onde a única desigualdade existente será consequência dessa capacidade. Não sei se, um dia, lhe contarei que juntos, lutaremos na Revolução, seja ela qual for. Mas que, nela, acreditaremos todos na mesma coisa: a verdade, seja ela qual for.

PS. Conceitos com bom, feio, bonito, certo ou errado são pessoais meus. Não significa que eu concorde em uma separação das pessoas por esses conceitos. O que é feio para um, pode ser bonito para outro.

Na dúvida, leia um livro!

A Camila Wu sugeriu, via twitter, que eu escrevesse sobre Literatura. Passei quase meia hora escrevendo e apagando. Ainda não sei ao certo se é porque adoro ler, porque o tema é amplo ou se é porque não sei quase nada de Literatura. Um pouco dos três, quem sabe.

Fato é que ler, para mim, é muito mais que adquirir cultura. Sim, li Bukowski, Machado de Assis, Émile Zola, Jorge Amado,  JK Rowling, Graciliano Ramos, Dostoiévski, e outros. Tenho uma bagagem literária maior que a média dos brasileiros.

Mas os livros que guardo na estante não contém apenas uma narrativa ou contos. Não, são um pouco mais que isso. São uma maneira de auto-conhecimento. O livro é o meu espelho.

Olhamos mais para os outros que para nós mesmos. Olhamos para nossos amigos, nossos parentes. Para nós mesmos, apenas no espelho. E olhe lá, porque o espelho engana e nossa visão é muito mais do que parcial – porque o sujeito e objeto são a mesma coisa nesse caso.

Leio para me conhecer, saber quem é esse tal de Dimitrius, coitado.

E ver o meu lado pervertido, irônico, sincero e nojento com Bukowski.

Ou ver a minha quase totalidade de Bentinho: mimado, tímido, constantemente apaixonado, romântico.

E é Álvaro de Campos e seu Poema em Linha Reta que me fez enxergar o romantismo que me faz sofrer “as angústias das pequenas coisas ridículas”. Porque, sim, fui eu “quem fugiu para fora da possibilidade do soco” quando ele surgiu.

Em Zola, sou Etienne e a consciência silenciosa do desconhecimento. Do idealismo burro.

Nas ruas de Salvador, na enluarada capital baiana, Jorge Amado mostrou-me os Capitães da Areia e suas aventuras, mostrou-me a humanidade ali nua, no areal e me fez dormir com frio, me mostrou o desejo adolescente, sem medo, sem censura, precoce.

JK Rowling apresentou o imaginário, a magia.

E o Velho Graça elucidou-me a seca realidade, a vida dura, transformou-me em bicho. Porque é o que sou: bicho, Dimitrius!

E foi Dostoiévski que me definiu. Com Gavril Ardalionovitch, com Raskólnikov. Ali, com o machado em punho, matando, iluminou minha face fria. Eu e minha dura sina de pensar ser extraordinário. Fez-me conversar com Míchkin, em São Petersburgo, e dizer do dinheiro o que é.

Talvez seja essa necessidade louca de virar os olhos e olhar para eu mesmo, saber quem sou, que me transforme nesse apaixonado pelos livros. E talvez seja o olhar acurado dos autores sobre os outros que o transformem em gênios.

Enfim, o que escrevi já escreveram e acabei não escrevendo sobre a literatura, os livros, a necessidade da leitura. Acabei escrevendo sobre mim.

Mas ora, que poderia fazer se a literatura é sobre eu mesmo? Se, e agora sou José Dias, da mesmíssima maneira, a literatura é sobre todos nós?

Vamos às Histórias dos Subúrbios!

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